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A mostrar mensagens de novembro, 2016

Garimpar a dobrar

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Nohell e Niall são gémeos e garimpeiros de 3ª geração! Sim, é verdade há já 3 gerações que a família gera gémeos garimpeiros. É uma paixão por uma vida inigualável, que parece ser genética. Os gémeos passam a maior parte do ano deambulando entre a pradaria e as montanhas. Não receiam o frio ou a chuva e gabam-se se ser capazes de fazer fogo debaixo do maior temporal. Por norma bastam-se a si próprios e apenas recorrem à cidade no Natal. Nessa altura são clientes assíduos do sallooon. Enchem a barriga de cerveja e dormem nos braços de uma mulher diferente todas as noites. Renovam guarda-roupa se necessário, cortam cabelos e aparam as barbas que cresceram rebeldes o resto do ano e adquirem alguns utensílios e ferramentas para o garimpo. É nesta altura que vendem o produto do seu trabalho. Dirigem-se ao banco e é certo e sabido que a diligência com o cofre chega no dia seguinte para seguir recheada para a grande cidade. Sabem ser cordiais com todos. A sua fama junto das mulheres é lendári...

Em fuga

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O suor escorre-lhe pelas costas. A respiração é ofegante e o coração bate descompassado e acelerado. Os músculos das pernas estão tensos como arame. As mãos agarram firmemente as rédeas. O olhar vigilante procura em cada trilho uma hipótese de fuga. Atrás dele, os capangas do xerife procuram-no para o levar directamente para a forca. Num assalto mal preparado à dillgência, viu-se obrigado a matar à queima-roupa e traiçoeiramente, o condutor da mesma. Há três dias que foge. Pouco ou nada tem comido. Resta-lhe saciar a sede em cada riacho que atravessa. A sua montada está no limite das suas forças. Tem as orelhas baixas e as patas tremem ante o esforço que lhe foi exigido. As narinas estão dilatadas e custa-lhe recuperar o fôlego. Para piorar as coisas, acabaram de entrar em território índio. Já se ouvem os seus batuques e tambores e sente-se o cheiro de carne a assar. Provavelmente acabaram de matar um búfalo e estão a aproveitar cada bocadinho do animal, num ritual ancestral, que mistu...

Negócios escuros

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Samhir é vendedor de antiguidades em Kalba, a cidade mais próxima das famosas ruínas de El-Sharjah, onde segundo contam as lendas, se escondem preciosos tesouros de reis touareg cuja linhagem há muito se perdeu. Arat é arqueólogo nas horas vagas. Procura uns tais tesouros perdidos, por conta própria, a horas pouco dignas. É um ladrão de tumbas, na verdade. E ganha a vida vendendo e regateando até à exaustão os preços das peças que vai encontrando, sejam elas de muito ou pouco valor. É um negociante aguerrido que todos conhecem. Às primeiras horas da aurora, num recanto bem escondido do oásis, Samhir e Arat encontram-se para discutir um negócio. As leis mais antigas dos comerciantes mandam que, em vista de um negócio difícil, se beba chá antes de encetar qualquer negociação. Porém, hoje, ninguém trouxe chá e a negociação começa à sombra de armas que ambos os negociantes empunham.  Aos seus pés, sobre a areia que começa a aquecer, um escorpião procura um abrigo mais adequado à temperatur...