A Joana cresceu por aqui, entre caixas de peixe, isco enrolado em jornal, canas de pesca, carretos e redes. Sempre que estava na loja do cais, usava um colete amarelo, para que a mãe a visse bem ao longe, enquanto atendia os clientes, recebia as encomendas e arrumava e organizava a loja. Aliás, todos os que frequentavam o cais com regularidade, reconheciam à distância, aquele colete, que saltivava por ali, ora brincando com as bonecas, ora dando uma ajuda à mãe (nunca durante muito tempo), ou a bisbilhotar o resultado do trabalho dos pescadores, não descansando enquanto não soubesse o nome de todos os peixes apanhados. Foi com tristeza que todos a viram partir, quando cresceu e quis ir estudar para longe. A miúda dizia que queria ir conhecer o que havia longe do cais, que a vida não podia ser só mar. A mãe deixou-a partir, certa de que ela iria descobrir que o seu lugar, era ali mesmo, na loja do cais. Passaram vários anos, e a miúda apareceu poucas vezes, em curtas visitas, por vezes ...