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A mostrar mensagens de fevereiro, 2017

Fado

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  Calou-se o meu coração Ferido de saudade Memórias que doem Um fogo que se apagou, na verdade   Fica comigo gritam meus olhos Mas soltas amarras e partes de mim Leva-te para longe o vento E a chuva invade-me assim   De mansinho chega a noite Meu corpo pede que embarques no meu Que me embales em ti A contemplar a lua que nasceu   Mão estendida Rosto ferido Abraço vazio Sorriso perdido   Calou-se o meu coração Ferido de saudade Memórias que doem Um fogo que se apagou, na verdade  

Karine e a floresta | Karine and the forest

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  A casa de Karine fica mesmo na orla da velha floresta. É a última casa da aldeia, onde ainda habita alguém e parece que a qualquer momento vai ser engolida pelos ramos dos abetos frondosos ou submersa pela erva que desponta com vigor após cada chuvada primaveril. Desde pequenita que Karine brinca por ali, embrenhando-se cada vez mais profundamente na floresta à medida que foi crescendo. Karine sabe dizer pelo som que o vento faz nos ramos das grande árvores se virá chuva da grossa, ou apenas alguns salpicos. O canto dos pássaros avisa-a quando chegará o calor ou o frio, consoante a estação do ano. Karine consegue sentir o fim do Inverno pela vibração que sente através dos pés descalços, quando toda a floresta se espreguiça, desperta e retoma a vida para receber a Primavera. A floresta não tem trilhos definidos. Karine dispensa-os, pois reconhece cada árvore, sabe onde estão os esconderijos dos ursos que ali vivem e as tocas de quase todas as raposas. Sabe a posição de cada rochedo e ...

São Valentim what else?

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  Perguntaram-me um dia destes se acreditava no amor. Respondi sem hesitar que sim. Mas depois tive que pensar. Porque sei que há histórias de amor que não têm finais felizes e que nem todas as pessoas são felizes. Tive que me questionar se estes factos me faziam deixar de acreditar... A mim o Cupido sempre me pareceu meio tonto e um tanto ou quanto demente para acertar como deve de ser com aquelas pequenas flechas (pequenas demais para serem levadas a sério, na minha opinião) e tornar corações saturados de rotinas e de quotidianos difíceis, em corações apaixonados. Tanta lamechice só lhe pode toldar a visão e por isso, começo a achar, que falta a pontaria ao pequeno ser, não tão poucas vezes quanto isso. E as histórias de amor ficam assim, incompletas. Os supostos apaixonados ficam meio abananados, sem saber o que fazer, trocando a espada com que deveriam lutar pela sua dama, por incertezas. Elas, as supostas apaixonadas ficam consumidas pelas dúvidas e sem forças para lutar com as in...

Marinheiros | Sailors

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Pela mão do avô pisaram pela primeira vez descalços as pedras húmidas do cais. Foi a voz ríspida do avô que os ensinou a caçar as velas e a ter atenção à retranca sempre que a embarcação mudava de direção. Foi a paixão do avô pelo mar que se infiltrou em cada pedaço do seu corpo e os fez dizer desde pequeninos, que queriam ser marinheiros. Foi o olhar apaixonado do avô que lhes mostrou a beleza do mar, fosse dia de sol ou de temporal. Em bebés, muitas foram as noites em que só o avô os conseguia adormecer quando enroscados uns nos outros, no fundo do barco, eram embalados pelas ondas do mar.  Hoje terminaram o seu curso na Escola Naval, ambos com a melhor nota da sua turma. Hoje são marinheiros e estão prestes a viver a sua vida como sempre quiseram: a balouçar nas ondas do mar.   By their grandfhater hand they stepped for the first time the slippery stones of the peer, barefooted. It was at the sound of grandfather harsh voice that they learned to hut the sails, to be aware of the sai...