O oleiro feliz | The happy potter
As mãos do João fazem nascer peças de barro a uma velocidade estonteante. A rapidez com que transforma uma bola de barro numa caneca, prato ou terrina, fazem crer que nasceu para aquilo. Mas não. João aprendeu à força de paulada. Habituou-se a antecipar o erro, para evitar mais uma chibatada nas mãos, um pontapé nas canelas ou um murro nos rins. Nascido pobre, não lhe restava alternativa na vida que não ser aprendiz de um qualquer ofício que lhe garantisse uma côdea de pão por dia e um sítio abrigado para dormir. E sabendo da sua má sorte, o mestre abusava dele. Até que um dia, a comitiva real passou pela aldeia e ali ficou por uma noite a descansar, para retomar caminho para o castelo, no dia seguinte. E foi na comitiva real que João descobriu os cabelos mais belos, os olhos mais profundos e o rosto mais delicado que já vira na vida. Trabalhou afincadamente toda a noite e o fogo que lhe nascia no coração fez nascer a mais bela caneca que alguma vez fizera. De linhas delicadas, mas rob...