A língua do amor | Love's language

O meu pai e a minha mãe.
Eram uns miúdos quando se instalaram na sua primeira casa. Até o Areias era ainda um jovem camelo. Eu nasci nesta casa. Depois mudámos para uma maior quando nasceu a minha irmã. Na nova casa, já nasceu o meu irmão e mantivémos a companhia do Areias, que tanto era meio de transporte, companheiro de brincadeiras e até uma espécie de ama dos meus irmãos. Houve um dia em que o meu irmão se estava a aproximar perigosamente do poço e o camelo desatou a bratelar feito louco, até que o meu pai foi ver o que se passava e evitou o pior.
Da minha mãe recordo o olhar doce e nostálgico e a sua voz doce que raramente se alterava. Lembro-me do tanto que me sentia bem, aconchegada ao seu colo, com a cabeça encostada no seu peito. Sentia-me tão protegida e tão amada!
Do meu pai lembro o calor das suas mãos, quando íamos de mão dada ao mercado e de como ele me punha às cavalitas ao chegar, para não me perder. Gostava de o ver olhar para a minha mãe e da forma como ela lhe devolvia o olhar. Eles admiravam-se verdadeiramente!
Entendiam-se tão bem, que eu costumava dizer aos meus irmãos que eles falavam em silêncio e que essa era a língua do amor. Os meus irmãos, mais traquinas do que eu, experimentaram muitas vezes testá-los e nunca conseguiram obter uma ordem contraditória: o que um dizia, ou outro corroborava, mesmo estando distantes um do outro.
My father and my mother.
They were just kids when mooved into their first home. Even Sand was just a young camel then. I was born in this house. When my sister born, we mooved into a larger one. My baby brother born in this new house, and we kept Sand, that by this time had many tasks: mean of transport, playmate, and even some kind of nanny. One day, my brother decided to get to close to the well, and Sand started to grunting so loud, until my father went to check what was happening and avoided a disaster.
From my mother i recall her sweet nostalgic look and her calm voice that rarely changed. I remeber how i felt so good, tucked in her lap with my head in her chest. I felt to secure and so loved!
From my father i cannot forget his warm hands, as we walked by to the market and the way he put me in his back as we arrived, so i don´t get lost. I loved to see the way he looked at my mother and the way she looked back at him. They really admired each other!
They went along so fine, that i used to say to my brothers that they spoke in silence, wich was the language of love. My brothers were more pesky than me, and tried several times to test them. Never once they got a contradictory order: what one said, the other would confirme it, even if they were distant from each other.
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