O oleiro feliz | The happy potter

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As mãos do João fazem nascer peças de barro a uma velocidade estonteante. A rapidez com que transforma uma bola de barro numa caneca, prato ou terrina, fazem crer que nasceu para aquilo. Mas não. João aprendeu à força de paulada. Habituou-se a antecipar o erro, para evitar mais uma chibatada nas mãos, um pontapé nas canelas ou um murro nos rins. Nascido pobre, não lhe restava alternativa na vida que não ser aprendiz de um qualquer ofício que lhe garantisse uma côdea de pão por dia e um sítio abrigado para dormir. E sabendo da sua má sorte, o mestre abusava dele.


Até que um dia, a comitiva real passou pela aldeia e ali ficou por uma noite a descansar, para retomar caminho para o castelo, no dia seguinte. E foi na comitiva real que João descobriu os cabelos mais belos, os olhos mais profundos e o rosto mais delicado que já vira na vida. Trabalhou afincadamente toda a noite e o fogo que lhe nascia no coração fez nascer a mais bela caneca que alguma vez fizera. De linhas delicadas, mas robusta, decorada com pequenas cornucópias que formavam entre si corações de vários tamanhos.


No dia seguinte, a comitiva real passou em frente à olaria e tomado de uma coragem que não sabia possuir, foi ter com a donzela dos cabelos côr-de-sol, e ofereceu-lhe o produto do seu labor nocturno. Recebeu em troca o sorriso mais doce da sua vida e o seu coração quase colapsou. Regressou ao seu posto de trabalho, não sem antes receber uns pontapés do mestre, e retomou as suas tarefas de todos os dias.


A comitiva já passara há mais de meia hora, quando João viu chegar à oficina um cavaleiro que trocou umas breves palavras com o seu mestre, oferecendo-lhe algumas moedas. O mestre apontou então para ele. O cavaleiro aproximou-se e disse-lhe que reunisse os seus haveres rapidamente, que a comitiva já ia longe e teriam que apressar o passo para a apanhar. Disse-lhe ainda que caíra nas boas graças da aia da rainha, e que esta convencera a rainha a integrá-lo na comitiva, para renovar as feias peças de barro existentes no castelo.


E foi assim que João passou a trabalhar por amor, em vez de por medo e que das suas mãos nasceram as mais belas peças de barro que o castelo possuiu. Nasceu também entretanto uma menina, com uns cabelos cor de ouro, herdados da mãe, que completou a felicidade de João.


 


 


John hands make pieces of pottery at a dizzying speed. It may seem he born to do that, but that’s not the case. John learned the skills by fear as he was beatn every time he made a mistake. So, he learned to anticipate the mistake to avoid the whip in his hands, a kick in the legs or a punch in the kidneys. He born poor, so he had no choice to be an aprentice that assured him a piece of bread and a place to sleep at night. Knowing this, his master abused him.


One day, the royal entourage spend the night at his village on it’s way to the castle. And it was on the entourage that John found the most beautiful hair, the most deep eyes and the most delicate face he had ever seen. John worked all night to make the most amazing cup he had ever done. Delicate but robust, decoratd with intricate drawing that together formed hearts of diferent sizes.


The next day, whe the entourage passed by his shop, taken by a courage that he didn’t know he had, he gave the cup to the lady of the sun coloured hair, getting in return the most sweet smile of the world and his heart almost colapsed.


More than an half of hour passed after the entourage, when a knight came in the shop, gave a few coins to his master and came near John to tell him to gathered his belongings. He said the entourage was already far and that they should depart quickly to catch it. He also sad that the queen’s handmaid convinced the queen to take John to the castle to renew all the ugly pottery that they had there.


And that was how John started to work for love and not for fear and of his hands came out the most beautiful pieces the castle had. A lovely little girl with golden hair, inherited from her mother, born in those days, that completely fulfilled John’s hapiness.

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