Ódio ou amor? | Hate or love?
É verdade que em pequena eu não era bonita e que era muito rebelde. E também é verdade que eu e ele nunca nos entendemos. Na escola, ele puxava as minhas tranças e eu acertava-lhe caneladas com tanta força tinha; ele empurrava-me na fila para o lanche e eu cuspia-lhe em cheio; no recreio acertava-me com a bola e eu devolvia-lhe em chicotadas com a minha corda de saltar. Era sempre ele que começava, mas eu não deixava passar uma e devolvia sempre as maldades que ele me fazia. Não fazia queixas a ninguém. Simplesmente devolvia o troco daquilo que ele me fazia. Tornámo-nos jovens na escola grande, sem nos falarmos: ele um rufia, que eu a muito custo admitia ser giro; e a minha beleza a despontar e a dar nas vistas, e ele a recusar-se a olhar para mim. Depois chegou a guerra. Faltava pouco para acabarmos a escola. Ele partiu e eu fiquei. Ele foi um valente e forte soldado. Eu fiquei a fazer o que fosse preciso: a dar as aulas possíveis aos mais pequenos, a ser enfermeira dos soldados...