Atraiçoada | Betrayed
Há muitos meses que o Conde Von Count vigiava a Menina Otília, que passa todos os dias pela mansão, a caminho de casa, depois de um dia de trabalho. Resguardado da luz, por detrás de grossas cortinas de veludo cor-de-sangue, o Conde estudou o balanço do seu andar, os seus tornozelos delicados e as linhas do queixo em direcção ao pescoço. Passou noites insones a sonhar com a sua face rosada e a pele clara e a desejar ardentemente mergulhar os seus dentes naquele pescoço que imaginava adocicado.
A Menina Otília, aceitou o convite para jantar na mansão, levada pela curiosidade, pois ninguém das redondezas conhecia alguém que alguma vez já lá tivesse entrado.
Mal entrou, a Menina Otília estranhou o ambiente soturno da mansão. Achou hedionda a decoração e pavorosos os animais de estimação do Conde. Mas, como por magia, todas essas estranhas sensações se evaporaram, depois de beber os primeiros goles do vinho que o Conde Von Count lhe ofereceu. E foi por isso, que achou graça quando, depois do jantar, ao afastar a sua cadeira para a ajudar a levantar da mesa, sentiu a respiração do Conde Von Count demasiado perto da sua face, e depois junto ao seu pescoço e à ligeira picada que sentiu. Depois, desfaleceu e quando acordou não se lembrava de quem era. Mas ao passar a língua pelos dentes, sentiu duas presas afiadas, e sentiu sede. Uma sede que nunca sentira antes. Cuspiu a água que tentou beber e deu o grito mais desesperado, quando a pouca água que bebeu lhe queimou as estranhas.
E foi assim, que na noite dos malditos, a Menina Otília foi atraiçoada e se transformou numa impiedosa vampira!
For many months, Count Von Count had been watching young Miss Otília as she passed by the mansion every day on her way home from work. Sheltered from the light behind thick, blood-colored velvet curtains, the Count studied the sway of her gait, her delicate ankles, and the lines of her chin as they tapered toward her neck. He spent sleepless nights dreaming of her rosy face and fair skin, yearning to sink his teeth into that neck, which he imagined to be sweet.
Driven by curiosity, for no one in the area knew a single soul who had ever set foot inside, Miss Otília accepted an invitation to dine at the mansion.
Upon entering, she was struck by the mansion’s dark atmosphere. She found the decor hideous and the Count’s pets truly terrifying. Yet, as if by magic, all these unsettling impressions vanished after she took the first few sips of the wine Count Von Count offered her. That is why she felt no alarm when, after dinner, as he pulled back her chair to help her rise from the table, she felt the Count’s breath, first too close to her face, then against her neck, followed by a sharp, stinging prick. She then lost consciousness. When she awoke, she could no longer remember who she was. But as she ran her tongue over her teeth, she felt two sharp fangs, and a thirst, a thirst unlike any she had ever known. She spat out the water she had tried to drink, letting out a desperate, harrowing cry as the small amount she had swallowed burned through her insides.
And so it was that, on the night of the damned, Miss Otília was betrayed and transformed into a merciless vampire!
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